Câncer de mama e hábitos de vida

Câncer de mama e hábitos de vida

Mastologia

Além do rastreamento mamográfico, os hábitos de vida e fatores ambientais são pontos fundamentais no combate ao câncer de mama. A obesidade em mulheres na pós-menopausa é considerada um fator de risco, provavelmente pelo aumento dos hormônios sexuais circulantes (estrogênio), pois o tecido gorduroso pode transformar o hormônio produzido na suprarrenal (androstenediona) em estrona (hormônio feminino). Quanto maior o nível de estrona, maior é o risco do câncer de mama. Alguns estudos têm demonstrado que esse aumento do risco pode chegar em até 25%. Já a perda de peso nesta população, oferece um efeito protetor sobre o risco do câncer de mama. Arbitrariamente ao que foi comentado, na pré-menopausa, o excesso de peso não está relacionado ao aumento do risco do câncer de mama e os mecanismos desse efeito não estão completamente elucidados.

No que diz respeito à correlação sobre exercício físico e câncer de mama, esta variável vem sendo amplamente estudada. Recente pesquisa publicada por um grupo de cientistas espanhóis demonstrou que mulheres que não praticam nenhum tipo de exercício físico têm um risco maior de desenvolver câncer de mama. O estudo analisou a recomendação da Organização Mundial de Saúde que sugere 150 minutos de atividade física moderada por semana e os pesquisadores descobriram que as mulheres que não seguiram essa recomendação, que tinham um vida totalmente sedentária, tiveram um risco de 71% a mais para desenvolver câncer de mama. Este foi o primeiro estudo a demonstrar que a atividade física tem um efeito preventivo e protetor para o desenvolvimento do câncer de mama na pré e na pós-menopausa.

Outro fator que foi associado ao câncer de mama é o consumo de bebidas alcoólicas, sendo que alguns estudos demonstraram que a cada 10 gramas de álcool consumidos continuamente, há um aumento de 10% no risco. Mais de 100 estudos analisaram esta associação e esses estudos, embora observacionais, têm consistentemente encontrado um risco aumentado de câncer de mama associado à ingestão de álcool. A principal hipótese é o efeito carcinogênico dos metabólitos do álcool, porém outras teorias sugerem interferências no metabolismo do estrogênio e também deficiências nutricionais. O estado menopausal e o tipo de bebida parecem não influenciar.

O tabagismo é conhecido e amplamente estudado fator de risco para câncer de pulmão, câncer de cabeça e pescoço, câncer de pâncreas, câncer de estômago e câncer de bexiga. Estudos recentes também têm associado o aumento do risco do câncer de mama às pacientes que fumam um maço de cigarros por dia há pelo menos 10 anos.

Sendo assim, hábitos de vida saudáveis como exercícios físicos regulares, não fumar, controle de peso e uma dieta equilibrada estão diretamente relacionados não só aos benefícios cardiovasculares, mas também à diminuição do risco do câncer de mama e essas práticas devem ser adotadas para vida toda. Manter uma vida saudável faz bem para saúde física e mental.

MAXIMILIANO C. KNEUBIL (CREMERS 36430|RQE 24394)

JANAINA BROLLO (CREMERS 29753|RQE 24400)