Meu cão se coça: o que fazer?

Meu cão se coça: o que fazer?

Medicina Veterinária

Apesar de ser uma queixa presente o ano todo nos consultórios veterinários, os problemas de pele nos cães tendem a aumentar muito com a chegada do calor, e se não tratados, esses problemas dermatológicos podem evoluir e agravar. As causas são diversas, mas a apresentação clínica muito semelhante: COCEIRA!

Importante saber que, além do ato de se coçar com as patas, outra forma do cão demonstrar coceira é se lambendo ou se mordiscando, o que pode machucar ainda mais a pele do pet. Outros sinais frequentes são vermelhidão, feridas, descamação, crostas, queda de pelos e alopecia.

É muito importante identificar a causa principal da coceira, sendo que as mais comuns são as alergias, as piodermites, as infecções parasitárias e as infecções fúngicas. Porém, muitas vezes um problema leva ao outro e não raro nos deparamos com várias alterações na pele do cão, o que leva a tratamentos mais intensos e demorados.

ALERGIAS

Muito comuns nos cães, a alergia tem 3 formas de acontecer:

• Por ectoparasitas: Muitos animais apresentam alergia à picada de pulgas e carrapatos. Uma substância presente na saliva desses parasitas em contato com o organismo do animal desencadeia a reação de hipersensibilidade, tendo como sintoma primário muita coceira. Lembrando que não apenas nos animais alérgicos, as pulgas e os carrapatos transmitem doenças que podem ser fatais quando não tratadas a tempo. Os tratamentos sempre devem incluir a prevenção dos ectoparasitas nos animais e a limpeza do ambiente com produtos específicos, já que 95% das pulgas e carrapatos estão no ambiente e apenas 5% no animal!

• Pela atopia: A atopia canina é uma hipersensibilidade hereditária a alérgenos do meio ambiente (poluição, pólen, mofo, ácaros, etc.), que se apresenta na pele dos cães por vermelhidão e coceira. Quando não tratado precocemente, as lesões podem evoluir e outros sintomas surgirem. Devido ao seu caráter genético, esta é uma doença que na maioria das vezes não tem cura, apenas controle. Portanto, sempre deve ser esclarecido que não apenas o tratamento é suficiente, e é de fundamental importância que um tratamento controle seja elaborado para evitar as recidivas e manter a qualidade de vida do paciente.

• Pela hipersensibilidade alimentar: A hipersensibilidade alimentar é uma reação adversa do organismo a determinados alimentos, como algumas carnes, laticínios e carboidratos. Essa reação alérgica pode surgir sintomas tanto em sistema gastrointestinal (vômitos e diarreia), como na pele dos cães (crises de coceira). Dietas de eliminação são instituídas afim de descobrir o alimento que provoca a reação de hipersensibilidade e assim, eliminá-lo do cardápio e substituir por alimentos não reagentes, através de rações específicas ou da alimentação natural, sempre buscando uma dieta equilibrada e balanceada.

PIODERMITES

As infecções de pele também são bem comuns nos cães devido a uma quebra da barreira de proteção cutânea natural, e tem, como principal sintoma, a coceira. Podem ser de causa primária ou secundária, portanto o diagnóstico correto é fundamental para o melhor tratamento.

INFECÇÕES PARASITÁRIAS

Muito comum lembrar-nos das pulgas e carrapatos, mas temos os ácaros que também são muito frequentes e provocam infecções de pele, conhecidas como “sarnas”. A sarna sarcóptica (escabiose) e a sarna demodécica (demodiciose) são as mais conhecidas, sendo que a escabiose é provocada por um ácaro contagioso, inclusive para as pessoas. Já a demodiciose tem caráter hereditário e não é transmissível. Portanto, seus tratamentos são diferentes e específicos.

INFECCÇÕES FÚNGICAS

Dentre os problemas de pele nos cães, as infecções fúngicas, quando isoladas, são as que menos apresentam a coceira como sintoma. Porém, por uma perda do equilíbrio da pele, pode ocorrer concomitantemente uma infecção bacteriana, a qual coça muito. Alguns fungos podem ser transmissíveis para os humanos, por isso o diagnóstico e tratamento adequado se tornam tão importantes.

A coceira é apenas um sintoma clínico, de fácil percepção e que está relacionado a diferentes causas. Portanto, a investigação clínica é de suma importância para estabelecer o diagnóstico e o tratamento adequado, que varia conforme a patologia. Entretanto, o tratamento controle é o mais importante, afim de evitar recidivas e manter a pele do animal da melhor forma possível: sem coceira e sem maiores sintomas.

Procure sempre um profissional veterinário para orientar e evite tratamentos por conta, por indicação de conhecidos ou encontrados na internet. Algumas medicações trazem riscos à saúde do pet e efeitos colaterais deletérios se não utilizados da forma correta. Além do mais, o tratamento irá variar de um animal para outro de acordo com o diagnóstico e a condição clínica individual. Confie no médico veterinário que saberá orientar, diagnosticar e tratar da melhor forma seu peludo de estimação!

*Dra. Natalia Vanoni Piva -CRMV 12972/RS