Bebê com Refluxo. Qual a causa?

Bebê com Refluxo. Qual a causa?

Pediatria

Bebês que regurgitam são uma causa constante de preocupação dos pais. Por este motivo, é importante que se esclareça alguns aspectos importantes sobre o refluxo.

Primeiramente, sabe-se que Refluxo Gastroesofágico (RGE) é o retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, que pode atingir, às vezes, as vias aéreas superiores. Normalmente, o RGE é um processo fisiológico normal que ocorre várias vezes ao dia em pessoas saudáveis, em todas as idades. Costuma durar cerca de 3 minutos e ocorre geralmente após a alimentação. Normalmente não causa incômodo.

No lactente, o RGE fisiológico é muito comum, e pode acompanhar-se de regurgitações ou “golfadas” que não estão associadas a ingestão insuficiente de leite e que, portanto, não causam perda de peso. Pode ser acompanhado de algum grau de desconforto, entretanto, não costuma causar aumento dos episódios de choro. Trata-se de um distúrbio funcional gastrointestinal transitório e dependente da imaturidade funcional do aparelho digestivo no primeiro ano de vida. Chega a afetar 6 em cada 10 bebês e inicia-se antes dos 2 meses de vida.

Quanto à frequência das regurgitações, ela é variável: 5% dos lactentes têm seis ou mais episódios de regurgitação ao dia. As regurgitações aumentam em número e volume entre dois e quatro meses e, depois, vão diminuindo progressivamente com o aumento da idade, sendo que 90% a 95% dos casos resolvem-se até o primeiro ano de vida. O lactente não deve ser exposto ao fumo, já que a nicotina facilita a ocorrência de um maior número de episódios de refluxo. Para evitar as regurgitações, o bebê deve ficar em posição vertical por 20 a 30 minutos após as mamadas, o que ajuda no esvaziamento gástrico, diminuindo os episódios de refluxo. A regurgitação do lactente pode, também, estar associada à cólica. Apoio e orientação aos pais são à base do tratamento deste tipo de refluxo.

Por outro lado, a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) causa nos bebês outras manifestações clínicas além das regurgitações, como vômitos intensos, dificuldade durante as mamadas, falta de ganho de peso, choro e irritabilidade. Recusa alimentar e alterações no sono também podem estar presentes. A exclusão da proteína do leite de vaca na dieta alimentar, bem como a introdução de fórmulas especiais ou o emprego de medicamentos, são algumas das medidas que podem ser tomadas pelo especialista após o diagnóstico deste tipo de refluxo.

A diferenciação entre RGE fisiológico e DRGE no lactente deve ser feita pelo pediatra através da história clínica e exame físico detalhados que determinam se o lactente precisa ou não de intervenção terapêutica, investigação laboratorial, radiológica e/ou endoscópica. Muitas vezes o diagnóstico diferencial entre os dois tipos de refluxo não é fácil, principalmente no bebê com choro intenso associado à irritabilidade ou sono intranquilo. É importante que se diga que a frequência de regurgitação fisiológica do bebê é muito maior que a da DRGE.

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria – Departamento Científico de Gastroenterologia. Dezembro de 2017.

Dr. Leandro Fleury (CRM/SC 21595|RQE 16317)