A redescoberta da vitamina D

A redescoberta da vitamina D

Dicas

A vitamina d tem se destacado no cenário mundial como um dos temas mais estudados na atualidade. O número de publicações é crescente e novos conhecimentos sobre essa velha molécula tem sido descritos, sugerindo que seus efeitos vão muito além de suas ações no metabolismo ósseo. Como esse assunto desperta interesse não apenas na classe médica, mas na população em geral, a informação de qualidade é bem-vinda para o leigo que muitas vezes se encontra perdido no meio de tantas informações oferecidas pelos meios de comunicação e principalmente pela internet.

A vitamina D conceitualmente é um pré-hormônio, pois a sua principal fonte não é alimentar e sim um produto da fotobiossíntese cutânea. É inerte até que se transforme em sua forma ativa, o calcitriol, um poderoso hormônio que atua na regulação da homeostase do cálcio e do metabolismo ósseo.

A vitamina D pode ser obtida a partir de fontes alimentares, porém estas fontes são raras, ela está no óleo de fígado de bacalhau, peixes gordurosos tipo salmão, atum, cavala. E mesmo assim necessitaria a ingesta destes em grande quantidade. A fonte de vitamina D está em nós mesmos, ela vem de nossa produção cutânea endógena através da exposição aos raios UVB. É nas camadas mais superficiais da pele que se encontra o precursor da vitamina, então durante a exposição solar os raios UVB, ultravioleta B, produzem uma fragmentação fotoquímica para originar o pré-colecalciferol. Na sequência ocorre uma isomerização e ai se forma a vitamina D3 o colecalciferol. Em seguida vai para a corrente sanguínea até o fígado e lá se transforma em 25hidroxivitamina D, mas não termina aí, o processo será finalizado nos rins onde ela se converterá em calcitriol ou a 1,25 dihidroxivitamina D. O calcitriol é a forma ativa da vitamina D e é responsável por estimular a absorção óssea, especialmente de cálcio e também de fosfato. A vitamina D ativa tem como principais órgãos alvo o osso, intestino, glândulas paratireoides e o rim, porém na atualidade já entendemos que ela atua em vários outros tecidos.

É consenso que para saber os níveis de vitamina D é dosar a 25 hidroxivitamina D lembrando que não é esta a forma final da vitamina aquela que vai produzir as ações teciduais e que existem inúmeras variações individuais que interferem nos níveis normais para cada indivíduo.

Recentemente a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica, em conjunto com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia anunciou uma mudança do valor de referência da vitamina D. Anteriormente eram aceitos como valores normais acima de 30ng\ml.

Porém atualmente estão sendo aceitos valores a partir de 20ng\ml. O posicionamento atual é de que:

1• Maior que 20 ng\ml é o desejável para a população geral saudável, entre 30 e 60 ng\ml é o valor recomendado para grupos de risco como idosos, gestantes, lactantes, pacientes com osteomalácia, raquitismos, osteoporose , história de fraturas , hiperparatireoidismo primário e secundário , doenças auto imunes e doença renal crônica e síndromes desabsortiva.

2• Entre 10 e 20ng\ml é considerada baixa.

3• Menor que 10 ng\ml é muito baixa e oferece risco de defeito na mineralização óssea.

4• E acima de 100 ng\ml é considerada elevada e o paciente corre o risco de hipercalcemia.

Em muitos casos a deficiência de vitamina D é silenciosa e quando aparecem sintomas de fadiga, fraqueza muscular e dor crônica devem-se por atenção para um caso de deficiência. Será necessário pedir a dosagem de vitamina D para o paciente. Não está recomendada a mensuração da 25(OH)D para a população geral. A avaliação está recomendada na suspeita de deficiência de vitamina D em indivíduos pertencentes a populações de risco ou a aqueles que apresentam situação clínica relevante.

Porém a hipovitaminose D é um problema de saúde mundial e claro o Brasil está inserido nesse cenário apresentando uma elevada prevalência de hipovitaminose D na população. Apesar disso as evidências atuais não suportam o conceito de suplementação generalizada da população, mas deve-se ter em mente que indivíduos que tem baixa exposição solar constituem-se principal população de deficientes. Assim a complementação das necessidades diárias, assim como o tratamento da deficiência, deve ser realizada para os indivíduos com risco para a hipovitaminose D ou para aqueles que têm contraindicação de exposição ao sol.

Assim o tratamento com a vitamina D deve ser estabelecido individualmente pelo médico assistente. À luz do conhecimento atual, ainda não é possível estabelecer definitivamente o papel da suplementação de vitamina D para as condições extraósseas e, portanto, não podemos definir o alvo terapêutico ideal para alcançar estes efeitos, bem como a melhor dosagem e o tempo de tratamento.

Dra. Monica Panza | CRM/PR 14207 | RQE 10271